"Na vizinha Espanha, ainda franquista, reúnem-se os quadros das diferentes fações da direita radical: desde os salazaristas, aos nacionais-revolucionários e neofascistas, desde os refugiados da PIDE/DGS e da Legião Portuguesa, aos militares e aos civis da área spinolista. Este meio variegado organiza-se em duas formações clandestinas: o Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP) e o Exército de Libertação de Portugal (ELP) (sic). Segundo a análise de uma testemunha direta deste meio radical, as duas organizações «surgiram do ‘gonçalvismo’ como o sangue surge do golpe». O ELP, como recita um seu documento clandestino, «surgiu muito naturalmente depois do fracasso das tentativas clássicas para fazer frente à onda revolucionária dos marxistas do 25 de abril». A organização do ELP é facilitada pelos serviços secretos espanhóis e pelos militantes europeus de extrema-direita refugiados em Espanha, como os italianos de Avanguardia Nazionale e consolida-se graças à vaga de refugiados que abandonam Portugal após o 28 de setembro".
Fuente: Marcchi, Riccardo. "As direitas radicais na transição democrática portuguesa (1974-1976)", Ler História [Online], 63 (2012). DOI: https://doi.org/10.4000/lerhistoria.366